São Paulo lidera o crescimento da saúde suplementar no Brasil, mas desafios regionais persistem
A saúde suplementar no Brasil segue uma trajetória de crescimento, e os números mais recentes da Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB) 103, que acabamos de divulgar, mostram que esse avanço tem sido impulsionado pelo Estado de São Paulo. O aumento do número de beneficiários nos planos médico-hospitalares e odontológicos reflete não apenas a retomada econômica e a geração de empregos formais, mas também uma crescente valorização do acesso à saúde privada por parte da população e das empresas.
Em janeiro de 2025, o país registrou 52,2 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares, um crescimento de 2% em 12 meses, o que equivale a 1 milhão de novos vínculos. São Paulo se destaca nesse cenário, com 18,3 milhões de beneficiários, representando 35,8% do total nacional. A taxa de cobertura estadual atingiu 39,8%, superando em 15 pontos percentuais a média nacional, que está em 24,6%. O crescimento paulista foi de 1,8%, o que corresponde a um saldo positivo de 317,3 mil novos beneficiários.
O desempenho de São Paulo não surpreende, mas reforça a forte correlação entre o mercado de trabalho e a adesão aos planos de saúde. Dados do Novo Caged (Ministério do Trabalho e Emprego) indicam que o estado gerou 457,3 mil novos empregos formais no último ano, contribuindo diretamente para a ampliação do número de beneficiários, especialmente nos planos coletivos empresariais, que cresceram 3,3%. Esse tipo de plano já representa a maior parte do mercado, evidenciando o papel das empresas na oferta de benefícios de saúde aos seus colaboradores.
A saúde bucal ganha força
Além dos planos médico-hospitalares, os planos exclusivamente odontológicos também apresentaram um crescimento expressivo. Em janeiro de 2025, o Brasil atingiu a marca de 34,4 milhões de beneficiários em planos odontológicos, uma alta de 6% em 12 meses. São Paulo seguiu essa tendência, registrando 5,2% de crescimento, adicionando 581 mil novos beneficiários.
Esse crescimento demonstra uma conscientização cada vez maior sobre a importância da saúde bucal. “A ampliação do acesso a planos odontológicos reflete não apenas a demanda crescente da população, mas também o reconhecimento das empresas de que a saúde bucal impacta diretamente a produtividade e o bem-estar dos trabalhadores”, afirma José Cechin, superintendente executivo do IESS.
Disparidades regionais ainda são um desafio
Apesar do avanço da saúde suplementar, as diferenças entre as regiões do Brasil permanecem um ponto de atenção. Enquanto São Paulo apresentou uma das maiores expansões do país, estados como o Rio de Janeiro registraram perda de beneficiários, com um saldo negativo de 87,3 mil vínculos no último ano. Além disso, as taxas de cobertura no Norte e Nordeste seguem bem abaixo da média nacional, com 11,2% e 12,9%, respectivamente.
Esses números indicam que, embora a saúde suplementar esteja crescendo, a distribuição dos benefícios ainda é desigual. O acesso a planos de saúde privados continua concentrado em estados economicamente mais desenvolvidos, onde o mercado de trabalho formal é mais robusto e a oferta de planos coletivos empresariais é mais disseminada.
Perspectivas para o setor
O crescimento da saúde suplementar no Brasil deve continuar acompanhando o desempenho do mercado de trabalho e da economia como um todo. Se o país seguir em trajetória positiva de geração de empregos formais, é esperado que mais pessoas tenham acesso aos planos médico-hospitalares e odontológicos, especialmente os coletivos empresariais.
No entanto, para que esse crescimento seja sustentável e equitativo, é fundamental que haja iniciativas que incentivem a ampliação do acesso à saúde suplementar em todas as regiões do país. Reduzir as disparidades regionais e fortalecer a oferta de planos de saúde em estados com menor taxa de cobertura são desafios importantes para o setor.
“A tendência é que o crescimento continue acompanhando o avanço do emprego formal e da economia. Se a geração de empregos se mantiver em alta, o número de beneficiários dos planos de saúde deve seguir essa curva ascendente nos próximos meses”, pontua José Cechin.
O cenário exige atenção e planejamento. A saúde suplementar segue sendo um dos principais pilares da assistência à saúde no Brasil, e garantir sua expansão de forma equilibrada será essencial para atender às demandas da população de maneira justa e eficiente.